quinta-feira, 8 de novembro de 2007

DIAS CONTADOS IX

Prazeres da serra – Sempre que posso refugio-me lá. Apenas sigo os caminhos que ali me levam, repletos de curvas e contracurvas ladeadas de árvores frondosas, cujos tons da folhagem castanha e laranja, tão bem se identificam com a paisagem de Outono. Alcanço o miradouro junto à água da nascente, límpida e cristalina, e em pleno coração de Monchique deixo-me deslumbrar pela magnitude da vista. Continuo a escalada até Fóia, onde a paisagem ampliada me faz sentir a olhar o mundo, e me corta a respiração. Ao descer a encosta observo o parque eólico, e uma vez mais aproveito a pausa para me deliciar com a gastronomia regional na «Rampa». A beleza envolvente, e o vinho alentejano retêm-me um pouco mais. O brilho do sol imprime-lhe reflexos violeta, e a sua textura marcante parece bem combinar com aquele perfeito final de tarde. Digo adeus à infatigável Paula, e prometo voltar muito em breve, um destes dias.

Vida dupla – Aquilo que na vida real nos levaria a pensar duas vezes, pode agora ser realizado no imediato, e sem consequências, dando apenas largas à imaginação. Como? Perguntar-me-ão os mais descrentes. Simplesmente através do último fenómeno global, que na Internet está a revolucionar tudo e todos. A 2ª vida é um jogo de simulação dum portal virtual, inteiramente povoado por avatares – personagens criadas pelos participantes, num universo totalmente imaginário. Este conceito corre a um ritmo de tal maneira impressionante, que para já conta com 10 milhões de intervenientes, embora só 40 mil possam estar «online» em simultâneo.
Ao criar-se uma identidade, tenta-se parecer algo completamente diferente do indivíduo real, que está por trás de cada um de nós. É como se entrássemos numa nova dimensão, onde a separação física entre o lado de lá e o de cá desaparece completamente, onde diferentes objectos são concebidos em espaços de pura diversão, e onde sob disfarce é claro que nos sentimos muito mais à vontade. O método preconiza uma via de substituição do mundo natural, por uma versão meramente artificial e efémera, onde o que idealizamos está de acordo com os nossos sonhos e objectivos, mas sempre ao sabor do improviso. Confuso? Espero bem que não. Acredite que a mente se canaliza tão-somente para este mundo alternativo, onde diversos efeitos permitem o uso do som, da luz e da cor, da perspectiva e de sombras, tal e qual como alguns elementos utilizados no cinema, exclusivamente com o propósito de recriar a realidade através da ilusão. Entretanto não se esqueça que fingimos ser outro, ou múltiplos, percorrendo caminhos para chegar a diferentes comunidades, e todo o tipo de eventos com calendário próprio, mas sempre em busca de algo, ou atrás de alguma fantasia, num mundo totalmente imaginado e inexistente. Esta realidade virtual far-nos-á viajar pelo espaço, e pelo tempo, onde munidos da instrumentação necessária podemos interagir de forma directa, através de dinheiro a sério criado para o efeito, além da manipulação de objectos, como se tudo se passasse no mundo físico, e em tempo real.
Tal como eu, não deixe de se aventurar, nem que seja por uma vez só! Apele quanto antes à sua capacidade mais criativa, e torne-se numa personagem sem paralelo – fruto da sua própria imaginação, enriquecendo a sua existência num outro estilo de interacção em: http://www.secondlife.com/

Teresa Nesler

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