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quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

O ENSINO: NÍVEIS DE EXIGÊNCIA?


“Professor sou-o por fatalidade. Mas alguma coisa se me impõe na avidez dos alunos que me escutam, na necessidade de responder à sua descoberta do mundo – e assim me invento o professor que não sou, e eles imaginam em verdade o que é em mim só ficção.”
Vergílio Ferreira, 18/04/1977

A intenção do professor proporcionar ao aluno uma visão do Mundo pluriperspectivada no tempo e no espaço surge não só com as leituras de obras de valor literário, mas também com a preocupação de se atender à inclusão de manifestações reais, empíricas que se interliguem a essas leituras.
Paula Cristina Sousa, 13/05/2004

O nível de exigência nas Escolas Portuguesas tem sofrido muitas alterações nos últimos tempos. Eu própria, enquanto Professora de Português e de Latim, verifico que, nos nossos dias, a minha exigência para com o ensino/aprendizagem dos meus alunos é menor relativamente há dez anos atrás, quando ingressei na docência. E uma outra constatação também surge: os alunos de hoje apresentam muito menos conhecimentos do que os de ontem.
Uma pergunta se me impõe: haverá razões pedagógico-didácticas que justifiquem uma tal diferença? Ou é tudo uma questão de política educativa e de estatísticas nacionais? As questões ficam em forma de pergunta retórica.
Outro aspecto interessa relevar: o que entendemos por exigência?
O professor tem, por obrigação, de cumprir o programa da disciplina, o qual está regulamentado nacionalmente. Por outro lado, deve preocupar-se em conduzir o aluno a uma aprendizagem que cause divertimento; deve, em atenção às ‘boas práticas pedagógicas’, usar meios diversificados para ensinar (audiobooks, plataforma moodle, quadros interactivos, powerpoint, filmes, música) – tudo isto ao serviço da motivação do aluno. É claro que a motivação é um aspecto fulcral em qualquer equipa de trabalho. Porém, é necessário que haja equilíbrio, a fim de que as muitas estratégias não obscureçam o papel do professor e tampouco prejudiquem a exigência, o nível de aprendizagem e a transmissão de conhecimentos/ saberes.
Oprofessor deve saber a matéria (preparação científica), deve planificar as aulas, deve saber ensinar, deve propiciar o desenvolvimento humano e intelectual dos seus alunos e não preocupar-se somente – como se tem vindo a verificar nos últimos tempos – em elaborar, “arranjar” e preencher grelhas e mais grelhas ..., que muitas vezes nem contemplam a equidade e a humanidade que deve existir na avaliação.

Paula Cristina Sousa - Professora de Literatura

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

La Casa de Bernarda Alba, Frederico Garcia Lorca

La Casa de Bernarda Alba, obra de teatro em três actos, escrita em 1936 por um dos mais vanguardistas dramaturgos espanhóis. Esta obra, por alguns considerada tragédia e por outros drama (aqui até se aproxima do hibridismo de Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett), corresponde ao culminar de um longo processo evolutivo do dramaturgo, desde o Modernismo até ao Vanguardismo, e deste até à sua fase de plenitude na escrita.
Da análise efectuada, parece-nos mais um drama, até porque o subtítulo “Drama de mujeres en los pueblos de España” assim o define. Por outro lado, há aqui um misto de comédia, entendendo-se a mesma por um misto de comicidade, de crítica e denúncia da sociedade. O autor baseia-se em figuras reais e utiliza um realismo linguístico – características próprias do drama – ao colocar na boca das personagens, como Poncia, expressões cómicas, de cariz popular e que se enraízam mais propriamente nas gentes andaluzas.
Como sabemos, esta obra faz parte de uma trilogia onde encaixam Bodas de Sangre e Yerma e mostra um conjunto de personagens femininas que aspiram ao sentimento e ao amor. As protagonistas lutam e revoltam-se contra o mundo das convenções e hipocrisias que dominam as suas vidas. Para contrariar tal modus de vida, escolhem como única alternativa a pobreza espiritual, o desespero, a morte.
Coincidimos, após a leitura da obra nestes pontos:
- La Casa de Bernarda Alba é a representação da vida anormal de uma família andaluza;
- Cada obra de Lorca deve ver-se como uma distinta manifestação artística;
- O teatro de Lorca tem um selo pessoal inconfundível que radica na variedade de estilos usados.
- Vale muito a pena ler esta e outras obras de F. García Lorca.
Professora de Literatura Cristina Sousa