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sexta-feira, 9 de maio de 2008

Avidez do Tempo.............

Refreio o corcel.
O galope.
O dardo.
A lança certeira e trémula
sibilando em esfinges do Tempo.
Urge a plenitude.
E o instante.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Do Outro Lado da Fronteira

DO OUTRO LADO DA FRONTEIRA

Entre o verde dos pinheiros
e sendas de tristes carreiros,
num fim de tarde com sol,
embriagados de esperança
na espiral dos teus cabelos
e pelas veredas longas
do teu corpo
chegamos,
ao outro lado da fronteira!

Misto de bem e de mal
raiva e riso
ódio e amor
desespero e dor,
no tempo sem tempo e vento sem ar
Chegámos.
Tudo raia!
Tudo fronteira!
Terra estrangeira em tempo sem idade.

Da triste realidade voltámos!
Amor de dor
sol sem calor
chuva e maresia
no frio que fazia,
tornámos.
No outro lado
Continuava a fronteira.


Alberto David

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Saudades do Vento Norte

POEMASSaudades do vento norte,
das oliveiras e da serra,
do rio quase sem água,
nas tardes quentes da terra,
das noites frias e calmas
em marés de lua cheia,
dos gritos pelas escarpas,
do vento que ululeia
o verde dos castanheiros,
e da branca neve
que alumia
a noite aos caminheiros.

Saudades das nuvens altas,
onde pendurei o sonho,
da terra mãe,
amassada c’ o suor e pranto dos olhos,
da seara,
que o vento afaga,
do sol,
que a neve derrete,
do frio,
que sara a febre e enruga a alma das gentes,
do verde dos castanheiros,
dourados no Outono,
fazendo da terra o sonho
mas que a garra assassina em torrões transformou.

Saudades da história triste
que o Avô sempre repete.
Dos gatos, agarrados às latas,- maldade da garotada,
e do cheiro das filós, na noite da consoada.
Saudades do Armandinho,
louco de riso e de sonho: - o rei dos garotos tristes!
e do poeta Germaninho,
que tantas amores cantou
em versos loucos rimados entre a fome e a desdita.
Saudades do velho harmónio,
mais do cheiro a rosmaninho nas noites de Santo António
que perfumavam o do albergue
qu’ ía a enterrar, à tardinha,
acompanhado por um cão,
o prior,
o sacristão
e um garoto divertido que tocava a campainha.
E aquela monja tão bela, raio de sol no hospício,
que aos pobres dava amor, entre pus sangue e suor,
e nas rezas do ofício foi perdendo o riso e o viço
em silêncio e a rezar.
E aquele meu mestre, velhinho,
que na guerra foi alferes
e a tantos malmequeres ensinou a soletrar
desfiando recordações: de gazes, trincheiras e França,
ergueu pontes de esperança nos nossos corações,
tecendo futuro, ao recordar.
Saudades do homem bom que de simples foi tão grande,
Sábio. entre os mais sábios, e santo como os que são.
Saudades de sonhos belos
feitos a golpes e duras penas de quem suou pesadelos
na noite que por fim falece ante o dia que amanhece.

São saudades,
tantas,
sem fim,
Saudadesao entardecer da jornada,
nos dias, quase sem data, que se afastam de mim,
e já amanhece a alvorada do fim.


Alberto David

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Poesia na UATI

OS MISTÉRIOS DO MAR
-
EU ESTAVA A MEDITAR,
SENTADA NA LOIRA AREIA,
"QUE MISTÉRIOS TEM O MAR?"
SURGIU NA MINHA IDEIA...
-
AS FACES ENTRISTECIDAS,
E NO CORAÇÃO AS MÁGOAS!
EU PENSO EM QUANTAS VIDAS,
SE PERDERAM NAS SUAS ÁGUAS...
-
NO VERÃO O MAR É LINDO,
E MESMO TÃO SEDUTOR!
MAS NO INVERNO BRAMIDO,
RUGE TÃO AMEAÇADOR!
-
O MAR É UM TRAIÇOEIRO,
QUE ESPALHA TANTA DOR,
QUE MATA O MARINHEIRO,
E TAMBÉM O PESCADOR.
-
QUANTOS BARCOS JÁ VOLTOU,
NAS ONDAS EM TURBILHÃO!
QUANTAS CRIANÇAS DEIXOU,
SEM PAI P'RA LHES DAR O PÃO...
-
O MAR QUANDO ESTÁ IRADO,
LEVA VÍTIMAS INDEFESAS!
QUE TERÁ ELE GUARDADO...
BEM NAS SUAS PROFUNDESAS?
-
E VEM NA PRAIA LANÇAR,
AS VÍTIMAS QUE ARREBATOU...
COMO PARA NOS MOSTRAR
OS CRIMES QUE PRATICOU.
-
Albertina Coelho Rodrigues
Aluna da UATI.