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sexta-feira, 30 de maio de 2008

DIAS CONTADOS XXIII

Wish me luck - De há dias para cá que não tenho feito outra coisa, senão repetir, vezes sem conta, até à exaustão!? No carro, debaixo de água, no jacuzzi, em frente ao espelho do guarda-fato, pachorrentamente saboreando uma chávena de «earl grey», ou um tinto do Douro, de olhos fechados, sentindo na cara o tímido sol, no jardim, em suma, qualquer pausa nos meus atribulados dias, tem servido de cenário de aprendizagem, para o que se poderá converter no Momento da minha vida! Voilà! Pois eis que daqui a umas horas subirei ao palco, numa peça sobre identidades. E nada é mais globalizante hoje em dia do que uma boa identidade, sobretudo quando me calhou em rifa o V Império!? Sim, aquele velho sonho do Padre António Vieira, entre outros, de ajudar Portugal a recuperar a sua antiga grandeza, e glória! Inspirado em profecias bíblicas, ali o palco estaria representado pelo tempo, de ordem espiritual, emergindo como um projecto político-religioso, um pouco retórico até! Exceptuando um receio avassalador, de num qualquer bloqueamento total, ser engolida pelo medo, na presença de algumas centenas de pessoas, sinto-me calma, pois amanhã, ou me transformarei em objecto de escárnio, ou na verdadeira «Star»!

Uma nova consciência – Ao longo de 3 encontros a academia Brahma Kumaris proporcionou-nos um breve curso de meditação raja yoga, com entrada livre, na Biblioteca Municipal. Para quem desconhece o conceito, não se trata efectivamente de uma religião, mas de um outro conhecimento, ou uma nova filosofia de vida, que não só tem a intenção de nos ajudar a redescobrir o eu, como potenciá-lo. Afinal, a forma como cada um de nós pensa, reflecte-se no relacionamento com os outros, tendo ainda um impacto tremendo sobre o nosso próprio corpo. Depois continuámos a focar-nos naquilo que somos, ou seja seres de luz, cuja luminosidade se projecta no centro das nossas testas, e nos dá qualidades natas, pacíficas, de valores eternos, e onde a negatividade não tem lugar. O silêncio torna-se então na consciência da alma, e a perfeição a nossa meta, e ao ligarmo-nos à fonte suprema, purificadora, benevolente, e repleta de paz e amor, somos como que transportados para uma outra dimensão, para além dos planetas, e do sol, convertendo-se esta numa experiência de eternidade, e autêntico júbilo espiritual. Tudo o que até aí nos poderia incomodar, e se teria instalado de prejudicial a nível da consciência, é destruído, e imediatamente substituído por virtudes, que nos convertem em almas elevadas, ou estrelas divinas, num universo de quietude, onde existimos para além do tempo. Foi um momento de procura, que nos fez olhar para dentro, e desenvolver uma postura mental diferente, alertando cada um dos presentes para o despertar de uma nova consciência. Om Shanti.

Teresa Nesler

terça-feira, 20 de maio de 2008

DIAS CONTADOS XXII


A arte do conto - Em mais um ciclo de leitura, organizado pela Biblioteca Municipal, discutiu-se «água, cão, cavalo, cabeça», antes do derradeiro encontro com o autor – Gonçalo M. Tavares.
A oradora chegou-nos da Universidade de Faro, e embora a literatura não seja a sua área, a Adriana Nogueira é uma classicista, que tal como a própria diz se entusiasma com muitos outros saberes, contagiando-nos com um outro olhar sobre a obra. Indo por partes, continuámos a destacar uma escrita que não é tradicional, e que sai da coerência dos livros anteriores, continuando no entanto a surpreender-nos! Este é sem dúvida um livro de sentimentos muito fortes, e até violentos, que nos obriga a profundas reflexões sobre a realidade e a ficção, que por vezes tendem a confundir-se. No conjunto são curtas histórias, que quase se aproximam da poesia, pelo sentido conciso, e da capacidade de dizer muito em poucas palavras de Gonçalo M. Tavares, que para a próxima irá lá estar. A não perder.
Ver reportagem fotográfica em:
http://www.caprichodointelecto.blogspot.com/

Muito positivo – Celebrou-se esta semana que passou, o dia mundial da Internet. Pois é, a brincar a brincar passaram-se já alguns aninhos, desde que um secreto programa americano deu origem à maior mudança civilizacional de todos os tempos, possibilitando-nos esta revolução tecnológica o acesso à informação, democratizando-a. Daqui para a frente resta-nos esperar para ver como essa comunicação poderá ser feita, quer através de telemóveis, ou de outros dispositivos, e a forma como a pesquisa passa a estar disponível, em alternativa às imagens e ao texto!?

Sempre on-line – este espaço próprio transformou-se num formato comunicacional, cujo intuito é trazer informações úteis, que possam servir de apoio a alguns, reflectindo a cultura e os interesses dos seus colaboradores. Desenvolva ideias, transmita-nos os seus conhecimentos, seja insinuante, e saia quanto antes do seu casulo, embarcando nesta aliciante aventura em
http://www.uatialbufeira.blogspot.com/

Teresa Nesler

sábado, 10 de maio de 2008

DIAS CONTADOS XXI

Mensagem pacifista - Em 2007, naquela mesma sala polivalente, da Biblioteca Municipal, interrogámo-nos acerca da nossa própria identidade. Quem somos? E qual o objectivo das nossas vidas? Nessa altura o que nos terá sido dito é que cada um de nós não passava de um ponto de luz convertido em energia viva, que se traduzia na nossa própria essência. Assim, para que nos tornássemos seres mais sublimes, deveríamos procurar ligarmo-nos à fonte suprema, para além das estrelas, e do firmamento, preenchendo desta forma os nossos intelectos. Só assim passaríamos a controlar as nossas mentes, tornando-nos donos dos nossos pensamentos, que passariam a determinar as nossas vidas.
Desta vez porém passamos à fase seguinte focando-nos na nossa própria consciência, que nos possibilita toda uma capacidade de percepção, e que passará por dois níveis. O conhecimento do corpo ligado a tudo o que é material, e aquele para além dos parâmetros físicos, correspondendo a um patamar mais elevado, e muito mais abrangente. Enquanto que o corpo não passa dum veículo momentâneo, que mais tarde ou mais cedo encontrará o seu fim, o espírito, pelo contrário é metafísico, indestrutível e eterno! Falsas identificações darão origem a conflitos, que se poderão traduzir por atitudes negativas, e inúteis, na maioria das vezes provocadas por falta de auto-estima. Porém, através da meditação Raja Yoga podemos desenvolver outras posturas mentais, que nos ajudem a converter estas emoções em algo de tão positivo e útil, como puro, tal qual o eu original. No próximo dia 23, no mesmo local, e à mesma hora, debruçar-nos-emos sobre a lei do karma, e a meditação, que nos relançará num oceano de paz, vermelho e dourado, para além do tempo, e nos trará uma outra tranquilidade de espírito que nos levará à felicidade plena. Difícil mesmo vai ser esperar!? Até lá Om Shanti, que é como quem diz «Eu sou Paz»!
Corpo em acção – Celebrou-se no passado mês de Abril o dia da dança. Desde os rituais dos povos primitivos, até aos dias que correm, ela sempre esteve presente na vida do homem, quer em acontecimentos sociais, ou religiosos. Antes mesmo de comunicar com palavras, as pessoas já se expressavam através de movimentos corporais, por isso a dança é considerada a mais antiga das artes. O percurso começa com a ideia de gostarmos de nos mexermos, e o desejo secreto de experimentarmos o espaço de uma forma totalmente corpórea. No fundo torna-se numa maneira diferente de nos olharmos a nós próprios, e aos outros. O universo do bailado é um processo criativo que coloca em palco músicos e bailarinos com corpos de perfeição física, que com a colaboração de um coreógrafo, através de sequências de tempo e espaço estabelecidas a um determinado ritmo, nos proporcionam um conteúdo narrativo, por mais vago que seja. O virtuosismo dos intérpretes depende muito do trabalho do gesto, da coordenação da expressão artística, e dos movimentos mutáveis explorados pelas suas possibilidades motoras, capazes de expressar todos os seus sentimentos, emoções, e alegrias.
Teresa Nesler

segunda-feira, 21 de abril de 2008

DIAS CONTADOS XX


À volta dos livros - A 1ª sessão terá servido para aguçar o apetite. Na seguinte, fui encontrar mais gente ainda. Desta vez fomos contemplados não com um, mas sim dois oradores, que nos falaram um pouco mais, sobre Gonçalo M. Tavares – o escritor do momento, e o que mais prémios arrecada, uns a seguir aos outros. Assim, Ana Isabel Soares deslocou-se de Faro, da Universidade do Algarve, onde lecciona, e na sequência do que teria sido já dito anteriormente, veio dar-nos a sua opinião das pequenas histórias «dos senhores», associando-as a outras obras literárias, que o autor terá decidido reescrever, com o intuito de lhes encontrar um seguimento diferente, ou um outro epílogo. Segundo a mesma, não passariam de esboços, dos quais as ilustrações são aliás disso exemplo. Analisando novamente o Sr. Valéry, de quem quase me sinto já íntima, afinal ele não passa do resultado de um exercício mental, construído debaixo de um raciocínio lógico, que deambulará entre o romance e o conto, e a imagem e a narrativa.
Outra perspectiva veio dar-nos o Sandro, que nos chegou com um entusiasmo contagiante, do grupo de teatro Gaveta, de Portimão, onde terá encenado duas peças deste autor, com quem julgo ter tido já o privilégio de travar conhecimento. Volta a falar-nos no seu rigor, na disciplina e no método, nas infindáveis horas dedicadas à leitura, e na sua enorme capacidade de trabalho. E como se isto por si só não bastasse, ideias nunca lhe faltam, e a partir do inconsciente, foge aos moldes tradicionais, acabando por nos surpreender, com estas deliciosas personagens de contornos surrealistas, que mais não passam de ensaios, num bairro tão imaginário, como inexistente.
Para casa trouxemos Água, cão, cavalo, cabeça, dos livros pretos, de violência evidente, e que lhe terá valido o grande prémio de Conto Camilo Castelo Branco em 2006. No próximo dia 16 de Maio, às 21,30h, voltarei a estar presente na Biblioteca Municipal de Albufeira, para o derradeiro encontro, anterior à presença do autor, e aprender um pouco mais. Mal posso esperar!
Ver reportagem fotográfica em:
http://www.caprichodointelecto.blogspot.com/

Mais acção - Este continua a ser o espaço de liberdade total, e repentista, tão próximo de si. Entre a inspiração e a técnica, chegou a hora de outros se pronunciarem, traçando caminhos, e aumentando a sua eficiência. Colabore, e não deixe de ser ousado em:
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Teresa Nesler

segunda-feira, 14 de abril de 2008

DIAS CONTADOS XIX

Coroada de êxito - A última tertúlia deste ano lectivo, acabou de ter lugar, na nossa universidade sénior. Sempre esfusiante, a Zizi conseguiu trazer uma nova vitalidade, e sob um impulso isolado, soube aliciar-nos, através da sua aula de jograis, mobilizando-nos para uma outra dimensão lúdica. O convidado desta sessão foi o notável Dr. Manuel dos Santos Serra, que amavelmente se disponibilizou a conversar sobre a realidade dos seus livros. Médico, e amante de poesia, falou de forma incansável, saltando de tema em tema, ao mesmo tempo que percorria cada meandro, da teia da sua vida. Afinal, não somos senão aquilo que nos lembramos.
Após a pausa de férias, a viagem continua, com outros protagonistas, mas sempre sob o estilo próprio da Zizi, que na dianteira, assim vai tomando conta, e bem, dos dias de cada um de nós.
Ver registo fotográfico em:
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Viver de palavras – Assinalou-se este sábado o Dia Mundial da Voz, que se irá celebrar no próximo dia 16, tendo o prémio «Voz do Ano» sido entregue à actriz Eunice Munõz.
A voz vive da arte dos sons, da colocação das sílabas, da combinação de fonemas, e dos sentidos de cada um. A linguagem é o território ao qual pertencemos, e dela pode depender a eficácia de um discurso, dum compromisso de honra, dum grito de protesto, ou do eco que permanece, após declarações mais polémicas. Cada voz tem a sua estrutura rítmica, a sua cadência, e tom próprio, que nos distingue uns dos outros. Sendo ela um dos veículos de transmissão de mensagens, considera-se este, um dos acontecimentos internacionais mais importantes, da área da otorrinolaringologia. A ideia desta ocasião é exactamente dar-lhe visibilidade, e sensibilizar, para que as pessoas cuidem melhor das suas vozes, através de cuidados simples, como prevenção de saúde. Além de implicar dinâmica, por parte de quem escuta, também é dela de que frequentemente nos fazemos valer, quando muitas vozes juntas acabam por, por vezes, fazer toda a diferença.

Muitas vozes – Este é o espaço, de consumo rápido, em que exteriorizamos os nossos pensamentos, de forma caótica e livre. A cada instante nos renovamos! Partilhe as suas vivências, e colabore também, com as pequenas coisas do dia a dia, ou o que lhe vem à baila, através de uma linguagem de acção. Faça dele o seu instrumento de comunicação em:
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Teresa Nesler

domingo, 6 de abril de 2008

DIAS CONTADOS XVIII

Um passo em frente – Quando nada acontecia, eis que tudo terminou. Ainda bem. Ao invés de outros, cujas opiniões ao longo de folhetins de traição ziguezaguearam, posso gabar-me que sempre mantive a coerência, vociferando abertamente ser do contra. É preciso coragem para enfrentar mudanças, e eu anseio desesperadamente por uma nova consciência, que para variar, saiba agir racionalmente. Que esforço será necessário então fazer? Perguntar-me-ão aqueles que nunca souberam reequacionar. Pois eu direi que em primeiro lugar haverá que desenvolver uma dinâmica de grupo, e que num processo de discussão, até aqui inexistente, se debrucem sobre um projecto, em redor da mesa de trabalho. Sim ouviram bem, «mesa de trabalho», e não uma outra mesa qualquer, coberta de petiscos e outras abstracções. É urgente inverter o rumo, e olhando o futuro é crucial estar aberto a sugestões. Depois, perante uma imensidão de ideias, só há que galvanizar! Só assim se faz e refaz a uati, não baixando os braços, ultrapassando o fracasso, e retirando-nos a nós alunos, uma vez por todas, do momento cinzento, desinteressante, e previsível, em que inacreditavelmente nos mergulharam. Socorro! É preciso mudar, e já!

Em força – Há espaços onde uma presença feminina felizmente não incomoda. Este é um deles, e com mérito conquistei-o. Só depois, a liberdade de crítica veio por acréscimo. O formato é comunicacional, criativo, não implica jogos, nem lideranças, e gerido em parceria com o David, não só funciona com sucesso, como se tornou na imagem positiva, da nossa universidade. Alguém tem dúvidas? Em permanente renovação, não asfixia, nem penaliza, e em último recurso foi o lugar encontrado para que os alunos obtivessem alguma merecida e necessária representatividade. Ora aí está, um projecto de grande visibilidade para todo o mundo, com pernas para andar, e continuar, com toda a pujança!

Legado de esperança – A sua missão, como a de tantos outros, foi espinhosa. A religião para ele não foi senão uma outra forma de política, e a partir de determinada altura, o seu martírio parecia anunciado. De ampliadas qualidades, e dimensão espiritual transcendente, sonhou em mudar o mundo, com um discurso que não chegou a esgotar. Construindo ilusões, através de uma linguagem realista, uma a uma foi alcançando as pessoas, com um efeito absolutamente demolidor. A utopia marcou-lhe o destino, e faz agora 40 anos que nos deixou, com uma réstia de ânimo entre mãos.
Se quiser ver o vídeo vá a:
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Teresa Nesler

segunda-feira, 17 de março de 2008

DIAS CONTADOS XVII

Donos do nada - As férias servem para aliviar pressões, e recuperar todo um tempo perdido. Nesta longa travessia do deserto, em que ninguém é indiferente ao que se diz, às histórias que se contam, e que se cruzam, aos que recuam, e aos que avançam, eis que empurrada pelas circunstâncias, uma nova aposta nos surge no horizonte!? Na luta pela sobrevivência da nossa universidade, interessa esquecer destituídos, nos quais os anseios dos alunos nunca se reviram, e recuperar ânimos enfrentando desafios, que visem melhorar a qualidade dum plano de estudos. Longe de sucessos, com resultados nulos, e sem habilidade para traçar uma estratégia, ou sequer improvisar, na tentativa de resolver alguns problemas de fundo, urge eliminar por completo as actuais barreiras, suplantando a presente acomodação. Num exercício de futurologia, gostaria que a nova direcção fosse arrojada, e ao invés da actual, mais optimista do que nunca, simplesmente nos surpreendesse!? É neste contexto, que em compasso de espera, num processo que deveria ser de discussão, exigindo o envolvimento de todos, (e não exclusivamente de alguns), que há que arrancar em força, e procurar o perfil certo, de alguém com um pensamento mais estruturado, que olhe para o futuro, e não vá como até aqui adiando, quando retardar nunca traz desenlace. No palco de mudanças e acontecimentos, convém reflectir metodologias e modelos, e atrair novas pessoas capazes de assegurar uma uati de visões mais amplas, aberta ao diálogo, e à apresentação de projectos aos mais variados níveis, combinada com acções de formação sólidas, que ajudem os seniores a melhor se inserirem numa sociedade cada vez mais competitiva. É urgente ultrapassar o nível de amadorismo, e atrair outras personalidades, que ao contrário de outrora não percorram o caminho ao acaso, mas que se proponham reflectir e reestruturar, através de uma gestão inovadora, que apoie iniciativas, e que estimule um potencial criativo, o que pressupõe uma outra acção, muito mais dinâmica. O ideal seria alguém, que em vez de manobrado por uma minoria, combinasse inteligência com capacidade de entrega, sendo capaz de liderar uma equipa de trabalho que desse prioridade à cultura, e nos restituísse o equilíbrio. E já agora, onde o poder (do nada), fosse tão-somente um acto de servir!

Medo e fascínio – No outro dia voltei lá. Onde o mar nos molda a cultura, e faz qualquer um sentir-se pequenino diante da imensidão. Lá, mesmo no ponto mais ocidental da Europa, no grande promontório, onde mares dantes povoados de mistérios e visões fantásticas se cruzam, e a ligação da natureza com o Homem nos faz sentir mais perto de Deus! Património histórico repleto de experiência marítima, que a ciência, o imaginário, o movimento náutico, e a cartografia revolucionaram por completo. O lugar que imortaliza a memória do infante D. Henrique, através dum projecto ambicioso e idealista, de navegar mais longe. A escola de Sagres é a escola da vida - ponto de partida para todos os nossos sonhos! Ver reportagem fotográfica em http://www.caprichodointelecto.blogspot.com/

Teresa Nesler

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

DIAS CONTADOS XV

Sinais de vida – Atraída por ela, atravessei fronteiras, e fui até ao seu encontro, ao mesmo tempo que esquecendo as horas, me lancei à descoberta de um mundo mais vasto, por vezes em exercício comparativo. Em viagem, o meu olhar ganha outro fôlego, e alonga-se nas pequenas coisas, tornando-se sensível à sonoridade. De cada ocasião a visão é diferente, e serve para me reencontrar através de novas memórias. Por mais de uma vez me inclino sobre o Mississippi, consumindo o rio de águas turvas, até à ultima gota. De atenção redobrada, parto à descoberta de New Orleans, em toda a sua complexa teia, cuja sequência fotográfica deixei registada em www.caprichodointelecto.blogspot.com.
Impossível não destacar o colorido, a presença da música sem tempo, e os aromas crioulos. São estas cores e imagens, que retenho como um turbilhão de emoções. Num momento de viragem, o ano é certamente de incertezas. Desenvolvem-se discursos de alternativa, e lá como cá, esboçam-se promessas, constroem-se ilusões, e o melhor actor em palco colecciona seguidores. A minha preferência vai para a adrenalina da competição, e qualquer previsão, neste momento, é puramente especulativa! Uma vez cumprido o sonho, e quando a linha do horizonte se começa a esbater, lentamente me vou retirando de cena. Além de guardar o máximo prazer das paisagens, e de realidades culturais diferentes, nalgumas das quais não me revejo nada, traço caminhos de volta a casa. O que ficou? Diferentes interpretações do mundo, partilha de muitos afectos, e um pedaço de mim que lá deixei, em estreita ligação com ela.

Fim de uma era - A necessidade de conhecimento fez-me voltar à Uati, mal regressei a Portugal. Com cada vez menos estudantes, foi com descontentamento, que deparei logo à entrada, com a imagem redutora de uma série de avisos, de que não haveria aulas, desta ou daquela disciplina. Ao todo umas quatro, ou cinco. O entusiasmo que me levou à aula de literatura, fez-me sentir deslocada, num universo cujo estado de alma se encontra moribundo, e a percepção do seu mau funcionamento, parece chamar por um debate urgente. É preciso encontrar respostas que limpem a imagem, e que duma vez por todas reestruturem a nossa universidade, de raiz, quando mais do que nunca, sinto que estamos por conta própria, pelos mais errantes rumos. Como se previa a situação é de crise e emergência, e demorando a afirmar-se, não terá saída airosa. Nunca houve reflexão sobre o futuro, nem multiplicidade de projectos, e naturalmente que organizar um magusto pelo São Martinho, ou bailaricos de santos populares, não requer a mesma capacidade que gerir um modelo educativo, ou uma área de saber, ainda que destinada à geração sénior! Sem sinais de esperança, num horizonte estreito, por quanto mais resistirá ainda ao tempo? Incapaz de encontrar caminhos, e nos garantir a mínima qualidade, resignada senão ao fracasso, falta-lhe lucidez, mobilização, e principalmente autonomia, para que se desenvolvam acções próprias. Resta saber se alguma vez despertará da apatia, em prol de um processo de renovação que projecte os meus, e os seus interesses. Felizmente que este espaço nos dá o poder da palavra, e a oportunidade de através de opiniões dispersas e alienatórias, nos expressarmos, para que um dia, quem sabe, num futuro mais próximo que longínquo, talvez que nada seja como antes.

Teresa Nesler

domingo, 20 de janeiro de 2008

DIAS CONTADOS XIV

Resistir ao tempo - Atenta ao fenómeno, tornei a lá voltar. Como eu, fizeram-no outros, empenhados em ouvir o que sobre ele se dizia. A escolha perfeita, num espaço de intervenção em que a partilha do conhecimento nos alarga as visões. Claro que nestas alturas a contribuição dos mais velhos é sempre duma importância vital, quer na sua transmissão de conhecimentos, ou nas suas formas de abordar o alvo da discussão. E aqui a elite urbana desempenhou o seu papel. Depois, Eça fez o resto, porque é intemporal. Fê-lo ao retratar o país em tons escuros, quando a pátria parece não apresentar solução, abrindo a interessante discussão sobre como nos olhamos, e os outros nos olham. Tudo isto ao mesmo tempo que contra o cinzentismo da prosa, cortando com a tradição, cria uma língua, revolucionando-a por completo. E o adjectivo é apenas um exemplo demonstrativo da marca do génio. Se assim não tivesse acontecido, ainda hoje falaríamos um português vernáculo. Há ainda o seu traço satírico, que encontramos em figuras estereotipas, inspiradas naquela época, que surpreendentemente, ou talvez não, se projectam para os dias de hoje. Quem diria?!

Travessia oceânica – Em breve romperei o ciclo, através de um ponto de passagem absolutamente obrigatório. Às vezes é necessário olhar para outro tipo de realidade, e assim, por umas semanas vou deixar de ouvir falar em TGV, ou aeroportos, do País que se joga em Lisboa, ou do BCP, quando o que estará em causa será somente o poder. Mas o verdadeiro, porque aqui tudo não passa duma brincadeira. Afinal o mundo é um palco, e tudo se resume a uma encenação. E eu irei espreitar bastidores, jogos de estratégia, e tácticas eleitorais, para sustentar uma opinião através de novas descobertas, de outras sensibilidades, e interpretações muito mais longínquas. Mas, separados por milhares de quilómetros, como que por magia, estarei arredada, embora aqui!? Agora é a sua vez de esboçar raciocínios, e de exprimir todo o seu eu. Torne-se irreverente e provocador, e sobretudo sensível aos temas que nos tocam, que podem marcar a diferença neste espaço imenso, em que há um sítio para todos, sem se ocupar o lugar de ninguém em:
www.uatialbufeira.blogspot.com – onde as palavras têm um potencial ilimitado, e nos prolongam para além do que somos! Hasta la vista!

Teresa Nesler

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

DIAS CONTADOS XIII



Sem volta a dar-lhe – Terminado mais um ciclo, num exercício de memória percorro o ano que deixei para trás. No que diz respeito à uati tudo não passou de inércia, e expectativas frustradas, sem programas em carteira, ou planos alternativos. Confesso, que tal como tantos outros, embarquei nesta aventura cheia de ânimo, mas até ao momento, com excepção de alguns eventos pontuais, que partiram isoladamente do exterior, não encontrei ainda conjugação de vontades, ou espírito de equipa que respondesse nem de perto, nem de longe aos meus ideais. Sem objectivos definidos, sem determinação, e sem capacidade de alterar o rumo das coisas, passando em revista a retrospectiva não se me afigura senão cinzenta, e nebulosa. Tem faltado envolvimento, empenho de alma e coração, verdadeira entrega, e uma dinâmica com outra visibilidade. O desinteresse e a indiferença fazem-me questionar para onde vamos, e antever a inaptidão de alguma vez se vir a alcançar algo de outra dimensão, deitando por terra o futuro desta instituição, cujo número de alunos que é escasso, tende a diminuir a olhos vistos de dia para dia. Porque não solicitar um elo de ligação da uati à página principal do site da Câmara Municipal, e obter parcerias com o centro de saúde, com o intuito de atrair gente com outra vitalidade, capaz de inventar, e trazer algo de novo à pequenez de horizontes, como sucede com êxito na universidade da terceira idade do Barreiro? E se culturalmente pouco acontece, e quase nada brilha, excepção seja feita ao nosso blog, onde ao invés, a inteligência não é subestimada, e a multiplicidade de projectos que têm vindo a surgir uns a seguir aos outros, não só nos espicaçam, como verdadeiramente nos inflamam! Arrojado e insinuante o blog da uati abre-nos caminhos, e tornou-se no espaço de aprendizagem, onde os saberes se cruzam através de links, e onde quem como eu se sente defraudado, transpõe o fosso com outro fulgor, retomando uma viagem muito mais motivadora e estimulante, num gesto criativo que nos optimiza performances, e nos conduz a um outro patamar, muito mais ambicioso. Repleto de energia, não só faz parte duma viragem, como nos preenche lacunas, nunca desvalorizando opiniões, nem pecando por um excessivo peso masculino, provinciano e ultrapassado. Paralelamente ainda nos arruma as ideias, e mais importante que tudo, não nos deprime, nem nos asfixia, tendo efeitos práticos verdadeiramente arrasadores! Se para variar quiser pertencer a uma equipa que funciona, espreite o que se escreve, torne-se objectivo, e junte a sua à nossa voz em:
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Esteja atento, e responda a uma nova realidade vocacionada para o sucesso, onde há liberdade para nos pronunciarmos sem reservas, sobre o modelo educativo que sonhamos, num lugar super divertido e voltado para o amanhã.

Teresa Nesler

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

DIAS CONTADOS XII

Soli Deo Glori - Neste Natal faz parte das minhas escolhas não sucumbir às tentações dos doces, das montras, ou do supérfluo, que tão depressa se esgotam. Desta vez vou ser audaz e acolher algo de novo, onde embora haja lugar para uma sequência de fragmentos soltos, de reconstituição de memórias distantes e felizes, também encontre espaço para alguns momentos únicos, e renovados. Opto por um cenário de esperança, onde repenso a forma de ultrapassar contrariedades e desilusões. Confrontando-me com a necessidade de me alhear, arredo-me da mesquinhez do quotidiano, que apenas me transmite um vazio disperso em interrogações.
Leve e esvoaçante mergulho na profundidade do meu interior, na minha inédita forma de repensar, para celebrar manifestações de afecto que só a ocasião sugere. Vou de encontro a outras realidades, e recrio um outro universo, quando sou desperta da minha reflexão espiritual pela perceptível Missa em Si, que oiço à distância, evocando o melhor que Bach nos deixou em música sacra. Se desconhece, faça como eu, e não deixe passar a quadra natalícia sem a ouvir. Imperdível!

À margem – Uma das minhas memórias de infância tem a ver com banda desenhada. O meu pai que era poliglota mandava vir de fora livros aos quadradinhos, da Amazon daqueles tempos, e quando chegavam sentava-nos ao colo, todos empoleirados uns nos outros, traduzindo-nos do inglês aquelas pequenas histórias absolutamente originais, que na altura ainda não tinham chegado a Portugal, e faziam as nossas delícias. Devo confessar que o Bolinha, a Luluzinha, o Careca, a Aninha, o Alvinho e todo aquele pequeno grupo de crianças ali retratadas, que em nada tinham a ver com a nossa cultura, ou quotidiano, nos despertavam sorrisos, e por vezes as maiores gargalhadas. Tudo isto para demonstrar que o humor tem um só idioma, mas não só. Um dos episódios, que se repetia nas mesmas aventuras infantis com uma certa frequência, ao qual o meu pai achava particular graça, tinha a ver com o clube do Bolinha, no qual menina não entrava, de qualquer forma, ou jeito. E dali se desenrolava uma série de peripécias lideradas por aquela personagem única, trajando sempre o mesmo vestidinho encarnado, e cabelo aos canudos, de seu nome Luluzinha! Isto passou-se ficcionalmente há cerca de 50 anos atrás, e ainda hoje no Reino Unido a tradição se mantém com clubes de acesso exclusivo a homens! Transpondo para a nossa sociedade, e para a vida do dia a dia, decorridas todas estas décadas, também aqui, por vezes, sobretudo nos meios mais pequenos, distantes das grandes urbes, ou naqueles que crescendo depressa demais, não conseguiram que as mentes acompanhassem o ritmo do progresso, o ambiente será hostil, ou intimidativo. Ocasionalmente as mulheres ainda são postas de parte, ou as próprias se auto-excluem por falta de hábito, ou confiança nelas mesmas. Olhando para trás, e analisando a genialidade do criador da Luluzinha, reconheço que através da sua inteligência, e perspicácia em demonstrar que uma menina podia ser tão, ou mais esperta que qualquer rapaz, o autor fez dela uma figura ficcional, absolutamente pioneira do sexo feminino, na questão da igualdade de direitos!


Teresa Nesler

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

DIAS CONTADOS XI

As palavras que mudam - Numa destas tardes de sábado, um grupo de pessoas de identidades plurais, todavia ligadas pelos livros, reuniu-se na nossa universidade, para soltar a conversa e ouvir falar. Com a sua extraordinária capacidade de mobilização, a Zizi conseguiu abolir barreiras, e apresentar-nos um projecto idealista, convertendo a intenção numa acção muito positiva. Seguindo uma metodologia própria, nesta primeira tertúlia literária convidou a professora Ilena Gonçalves, que nos apresentou um livro da sua autoria. Resume-se este a uma vasta colectânea de obras de escritores do Algarve, ou que não tendo raízes algarvias o enalteceram, destinada a jovens estudantes, não só de Portugal, mas do mundo inteiro. O intuito seria de lhes vir a ser útil como ferramenta de estudo, através de diversos percursos literários que vão desde textos, crítica, manuscritos, a biografias exaustivas. Nomes como Casimiro de Brito, Lídia Jorge, Teresa Rita Lopes, Nuno Júdice e tantos outros, foram citados sem pressa e com prazer, em exaltação à cultura. Prosseguiu-se com uma pequena representação teatral, por parte das colegas Lídia e Felisbela, de uma adaptação de um texto de António Silva Carriço. Até que chegou a vez da poesia, e das diversas vozes consonantes com outras, em feliz fusão com a música protagonizada pela professora Leonor, a quem agradecemos a generosa disponibilidade. A sonoridade e a magia do momento, certamente pairaram no ar, sentindo-me honrada por também eu ter abraçado este desafio, quando o stress dos dias tantas vezes nos esvazia. No final, o colega Henrique brindou-nos com mais um dos seus fados fazendo de novo valer a voz. Houve ainda lugar para chá e bolos, dos quais elejo o de noz da Albertina, de comer e chorar por mais! Porém, a partir da minha observação, o que restou foi um processo de aprendizagem, que pela primeira vez em ano e meio de universidade sénior senti que foi de encontro às minhas expectativas, uma educação linguística de louvar, e a atitude apaixonada com que cada um dos presentes terá preenchido o seu próprio universo. À Zizi pela forma atractiva de promover uma iniciativa inédita, e nos tirar da letargia, fica o nosso justo reconhecimento. Num outro sábado, de outro qualquer mês, a rede de leitura voltará a ter lugar, no mesmo local, à mesma hora. Esteja atento a esta nova descoberta, e tal como eu faça a sua existência viver das palavras que perduram.

Homem, faz do amor o teu pregão,
Canta a vida à futura geração
Que a vida é desta Terra o maior Dom.

Ergue-te, Humanidade, anda, caminha…
Não deixes minha voz clamar sozinha,
Grita comigo: Amor! Shalom! Shalom!

Lolita Ramirez

Intransponíveis – Sabia que havia efemérides mais ou menos para tudo, mas mesmo assim não deixei de me surpreender quando recentemente ao folhear uma agenda, reparei que a 11 de Dezembro se celebra o dia internacional das montanhas!? A ideia fez-me sorrir, e desde logo me trouxe à memória as fantásticas férias que como adolescente costumava passar com a família no lago d’orta no norte de Itália. Ano após ano, durante todos os meses de Setembro, e de onde se avistava o deslumbrante Monte Rosa. Sentir a natureza pura, e toda a sua beleza natural é algo que nos transcende, e neste caso me faz desejar largar tudo, e partir assim à aventura através de profundos vales, por essas encostas íngremes cheias de desníveis acima, atravessando a imensidão do universo, sem nunca desistir, até alcançar o topo, como se viajasse para as alturas.

Teresa Nesler

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

DIAS CONTADOS X

Um outro fôlego - Antecedendo o Inverno, o Outono acaba de nos trazer rápidas mudanças. Seguindo o curso da natureza, observamos o amarelar das primeiras folhas, que acabam por se alterar em tons de laranja mil, enquanto a folhagem dourada se amontoa pelo chão, e são folhas secas as que pisamos, dia após dia. A sua luz é única, e ajuda a realçar o auge da beleza de paisagens de incontornáveis tonalidades, que Monet pintou. Umas vezes chegam-nos ventos, porém noutras apenas se sente uma leve aragem outonal. Através das colheitas chega-se ao final de um ciclo, e daqui para a frente a época será de renovação. As novas tendências da moda inauguram a estação, e o aconchego é sem dúvida o que desejamos, em mais uma fascinante etapa das nossas vidas.

Outono
Outrora
Era outro

Alonso Alvarez

Encontro histórico - De momento, em Lisboa, proliferam por todo o lado. Suspensos em candeeiros antigos, em cartazes, em mega painéis, numa campanha sem precedentes, que lhes foi exclusivamente direccionada.
Segui-lhes o rasto, do Cais do Sodré à Ajuda, e foi no Palácio Nacional que fui encontrar os Romanov - a segunda e última dinastia imperial, que por 8 gerações governou o Império Russo, ostentando luxo e opulência. Ali iniciei uma viagem pelo tempo, evocando a arte e cultura de uma valiosa selecção de 600 peças do Hermitage – o segundo maior museu do mundo, depois do Louvre, e um dos mais prestigiados, que conta para cima de 3 milhões de obras, distribuídas por cerca de 5,000 salas. A exposição inaugura com Pedro, o Grande ilustrando uma série de objectos médicos, instrumentos cirúrgicos, e farmácia portátil demonstrativos do seu gosto pela ciência. Porém o apogeu é alcançado mais tarde no reinado de Catarina II, que de princesa alemã acaba por abraçar o trono, após a destituição do marido Pedro II. Mulher culta chega a corresponder-se com Diderot e Voltaire, e é ela que determinada em obter a maior colecção de pintura do mundo, vem a fundar o legendário Hermitage, de que fazem parte 4 palácios contíguos, dos quais o maior é sem dúvida o antigo Palácio de Inverno – residência oficial dos czares, e onde a cultura russa irá encontrar a sua expressão máxima.
A exibição prossegue com retratos régios, móveis, baixelas, as famosas porcelanas Lomonosov, jóias preciosas, vestidos de baile, trajes militares, e de gala bordados em fios de ouro, prata e seda, caixinhas de rapé enfeitadas com pérolas e diamantes, e na Sala dos Embaixadores uma mesa reconstitui um banquete na corte, com uma baixela em ouro, e um centro de mesa do final do século XIX, em bronze dourado e cristal, com 3 metros de comprimento. O último espaço é dedicado a Nicolau II – o derradeiro czar assassinado pelos revolucionários bolchevistas, juntamente com a czarina e os seus 5 filhos, após a revolução de 1917. A sua sala de trono veio também até Lisboa, incluindo o sofá de canto, onde toda a família foi fotografada pela última vez, além de uma encenação da capela régia e sumptuosos paramentos litúrgicos do rito ortodoxo, bem como as insígnias imperiais desenhadas pelo joalheiro Fabergé – provedor oficial da Corte desde 1882, que se vem a celebrizar pelas suas séries limitadas de ovos da Páscoa. É ainda contemplado um ursinho de peluche pertencente ao príncipe herdeiro Grão-Duque Alexei, e um trenó de criança. A cidade de São Petersburgo conhecida como «a pérola do Báltico», ou a «Veneza do Norte» mandada edificar por Pedro, o Grande em 1703, surge-nos também imponente e majestosa através de diversas gravuras – um projecto urbanístico intemporal, construído a partir de esboços de arquitectos europeus, e verdadeiro símbolo da cultura russa, na foz do rio Neva com a sua infinidade de rios secundários, românticos canais, e pequenas ilhas ligadas por mais de 400 pontes.
Tal como eu, deixe-se seduzir, e deslumbre-se por este património cultural único, testemunho da riqueza, e do requinte das cortes dos czares russos, e da sua afirmação como potência europeia. A não perder!

Teresa Nesler

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

DIAS CONTADOS VIII

Na linha da frente – Faça chuva, ou faça sol, ela está sempre lá. Com o oceano ao fundo, e o casario à espreita, ao som da cadência ritmada das ondas, e do cheiro a maresia. Naturalmente faz da esplanada um prolongamento da sua própria sala de estar, e breves instantes chegam para a ver dar um beijo a um, apertar a mão a outro, sussurrar para um lado, e sorrir para mais alguém, com meio mundo a seus pés! Assim é a Zizi, e o seu frenético dia a dia, e aqueles são apenas uma pequena parte dos infindáveis protagonistas que a rodeiam, num universo que é tudo menos estático. Confesso que é sempre um enorme prazer ir ao seu encontro, como se alegremente me despertasse para a vida. Numa destas tardes, quando trocávamos um dedo de conversa, ao sabor de uma agradável sopa de grão, rematada com um cheirinho a hortelã, tive o privilégio de conhecer no seio do seu circulo de amizades, o ilustre casal do Porto, José e Lurdes Neto, a quem completamente me rendi. Foi ali mesmo, naquele magnifico cenário, que recebi uma singular aula de literatura ao ar livre, sobre precisamente Cesário Verde. Tendo em mãos o seu livro de poemas, e confrontando-me com uma certa perplexidade em lhe reconhecer a genialidade, que muitos lhe atribuem, bastou o José soltar as palavras certas, para mais tarde o redescobrir. As imagens do quotidiano citadino, o reencontro com o campo, a poesia descritiva, a aproximação à pintura impressionista, o interesse pelo conflito social, e o colorido da linguagem que me foram apontados, inverteram-me a opinião, num momento de viragem absolutamente único. A partilha do conhecimento, e o cruzamento de saberes, às vezes geram estas coisas!

E eu, apesar do sol, examinei-a:
Pôs-se de pé; ressoam-lhe os tamancos;
E abre-se-lhe o algodão azul da meia,
Se ela se curva, esguedelhada, feia,
E pendurando os seus bracinhos brancos.

Cesário Verde (Num bairro moderno)

Pura magia – A viagem é iniciada cedo, quando a neblina ainda paira no ar. À medida que vamos avançando, o sol desperta, e o arvoredo prende-me o olhar, que se cruza com uma nova descoberta. Logo a seguir à passagem pela Ribeira, sou invadida por uma sensação de liberdade, ao contemplar a paisagem vasta, e o infinito do horizonte. Não há vento, e apenas uma leve brisa toma conta de mim, trazendo-me sossego, e tranquilidade. Tento esquecer as horas, e consumi-las vagarosamente, para não fugir à realidade que me envolve. Inclinadas sobre o rio, as vinhas das encostas não são mais do que um rasgo de emoção. Ao encontro das expectativas, o vinho da região demarcada anda por todas as bocas do mundo fora. Passamos por baixo de pontes, por pequenos aglomerados aqui e ali, pela barragem de Crestuma-Lever, por outros barcos, e outras gentes, que das margens nos acenam em sinal de paz. Só o pássaro que sobrevoa quebra o silêncio que nos fala mais alto. Um dia no Douro não me chega, e a memória e a nostalgia pedem-me para quanto antes lá voltar.
Teresa Nesler

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

DIAS CONTADOS VII

A ilha – Longe das multidões, e dos grandes centros urbanos, é sempre um prazer lá voltar. Do barco avisto a limpidez da água, e a areia fina e branca, com pinheiros salpicados, aqui e ali. Apeamo-nos, e vagarosamente seguimos o trilho, entre um grupo de nuestros hermanos, e dois jovens holandeses de mochila às costas. Acelero o passo, e de imediato mergulho num mar sem fim. Ali, não há lugar para balbúrdia, ou sequer poluição. Subsiste apenas a intensidade de cada momento. De seguida saboreio um peixe fresco, e toda a tranquilidade que noutros locais me falta, até deixar a ilha de Tavira, de novo defrontando o caos.

As ondas quebraram uma a uma
Eu estava só com a areia e com a espuma
Do mar que cantava só p’ra mim

Sophia de Mello Breyner Andresen

O nó – Tal como uma princesa saída dum conto de fadas, surge-nos passo a passo, fulgurante e esbelta. Pelo braço do pai avança ao encontro do noivo, que transborda de alegria difícil de conter. Ao som de notas melódicas parte-se da igreja para o copo d’ água, que se prolonga até ao final do dia, enquadrado num cenário natural, com Sintra a perder-se de vista. É o início de uma nova caminhada a dois, e o compromisso com o amanhã, quando a vida passa a ser dividida. Felizes para sempre? Porque não?! Basta a vontade de cada um, saber sempre colocar-se no lugar do outro. À minha sobrinha Carolina, e ao André, brindo a um futuro risonho e duradouro.

A indefinição – Começou a contagem decrescente para o reinício das aulas. Não podendo marcar presença na sessão de abertura, anseio que se estabeleçam novos procedimentos e objectivos, e que os mesmos sejam eficazmente atingidos. Já pouco faltará para sabermos o que de diferente está em marcha, e qual a estratégia a seguir, para nos conquistar a todos, apenas um bocadinho mais. A bem da Uati!

O imparável – Apaixonado pela vida, desdobra-se de blog em blog, sempre com muita emoção. Uma vez mais, o nosso responsável técnico torna a surpreender-nos, recriando mais um espaço, onde militares de outrora se voltam a reencontrar. Para além das palavras, e das fotografias, está toda uma memória colectiva agregada a ligações passadas, que importa preservar. É mais um desafio, e o enorme prazer de reinventar, partilhando vivências, e reconstituindo lembranças em: http://www.batalhaocavalaria1883.blogspot.com/. Não deixe de ir espreitar!

Teresa Nesler

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

DIAS CONTADOS VI

Cumplicidades - Pela manhã deixo-o entrar, e num ápice enche-me a cozinha, e o coração. É como se ambos esperássemos por aquele momento, que se tornou num verdadeiro ritual. Ligo a chaleira eléctrica, e em poucos segundos tenho já no balcão uma chávena de chá cheiinha até cá acima. Entretanto escalfo um ovo, ao mesmo tempo que na torradeira coloco duas fatias de pão. Sem perder pitada, segue-me os gestos, e vem deitar-se aos meus pés. Na rádio oiço da subida de preço dos manuais escolares acima da inflação, entre um golo de «earl grey», e uma torrada com uma fatia de fiambre. Depois ele já advinha o que se segue, e olha-me como se me interrogasse: - «Do que estás à espera»? Então, pego num pedacinho de ovo, envolvo-o no fiambre da torrada que fica pendurado a mais, e ele vem comê-lo à minha mão. A cena repete-se até lhe dizer: - «Chega, este é o último»! Isto em inglês, porque ao contrário da Daisy, que é bilingue, o Rico apenas fala uma língua só! Por vezes até condescendo, e lhe dou um pouco mais. Ainda oiço a previsão de sol para todo o país, apesar da ligeira descida das temperaturas, acabando por me cansar do noticiário. Mudo de frequência, e parece que estamos com sorte ao apanhar o início do concerto de Mozart, para clarinete e orquestra, em lá maior. Imediatamente trocamos sorrisos. Ah isto sim, é do agrado dos dois. Por esta altura saboreio meia toranja, com uma colherzinha de mel, que trouxe da última visita a Monchique. Terminado o repasto, e toda uma partilha, limpo-lhe os olhos meigos, dou-lhe uma escovadela, e em troca recebo daquela volumosa personagem com mais de 70 quilos toda uma óptima energia, que me irá durar o dia inteiro! O Rico é único, e não o trocaria por nada nesta vida. Aquele agitar de rabinho, o brilho do olhar, e toda a comoção e necessidade de me ter por perto, fazem dele um aliado por excelência.

Se tal como eu também se perde de amores pelo seu cão, adira ao desafio da Lena e deixe o seu registo em http://www.uatialbufeira.blogspot.com/

Teresa Nesler